Resumo
A presente dissertação investiga a constituição de ambientes interativos entre a escola e seu território e suas implicações para o ensino de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental II. O estudo parte da premissa de que a rigidez dos espaços escolares tradicionais limita o desenvolvimento de multiletramentos e a formação crítica dos estudantes. O objetivo geral é analisar como a reorganização espacial e a integração com a comunidade enquanto território educativo, podem potencializar práticas pedagógicas inovadoras e contextualizadas.
A pesquisa, de abordagem qualitativa e natureza documental, fundamenta-se na análise documental interpretativa e no conceito de território usado de Santos (1996), além de dialogar com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O corpus empírico é constituído por duas experiências escolares de referência: o Projeto Âncora (Cotia/SP) e a EMEF Presidente Campos Salles (São Paulo/SP). Os resultados indicam que a ruptura com a arquitetura disciplinar e a abertura da escola para o entorno transformam o território em operador pedagógico, oferecendo situações reais de leitura, escrita, oralidade e intervenção social. O estudo foi amparado em referenciais relacionados a Cátedra da Unesco “Cidade que Educa e Transforma”. Conclui-se que a integração escola-território favorece a aprendizagem significativa da Língua Portuguesa, ao promover a circulação da palavra, a gestão democrática do espaço e o fortalecimento da identidade comunitária entre escola e seu entorno.